As Informações Implícitas: Pressuposto e Subentendido
INTRODUÇÃO
Este texto tem como objetivo uma breve análise comparativa entre implícito, pressuposto e subentendido os quais encontramos em mensagens, falas, textos e diálogos do cotidiano.
É de suma importância a diferenciação dos pressupostos e subentendidos, pois esses dois temas, apesar de parecidos, trazem duas concepções divergentes, o primeiro leva-nos a conclusões fundadas em verdades compartilhadas, já o segundo, por sua vez, leva-nos a conclusões próprias.
É de suma importância a diferenciação dos pressupostos e subentendidos, pois esses dois temas, apesar de parecidos, trazem duas concepções divergentes, o primeiro leva-nos a conclusões fundadas em verdades compartilhadas, já o segundo, por sua vez, leva-nos a conclusões próprias.
Sendo
assim, passamos a expor cada um dos temas, os quais nos fazem compreender as
informações implícitas.
INFORMAÇÕES
IMPLÍCITAS
No
dicionário encontramos o seguinte significado para a palavra implícito: que
está envolvido, mas não de modo claro, subentendido. Nota-se como um assunto
acaba se entrelaçando com outro, da qual também faz parte do mesmo trabalho. As
informações implícitas estão por toda a parte, que atinge nosso subconsciente,
usado por meio de imagens, músicas e gestos da qual a mídia os utiliza
muito. Influenciando inclusive na compra de certo produto.
Numa
analogia, pode-se dizer que a Ordem Explícita é o universo espaço-temporal em
que vivemos, e a Ordem Implícita o universo do não-manifesto.
*Implícito: é algo que está
envolvido naquele contexto, mas não é revelado, é deixado subentendido, é
apenas sugerido.
*Quando lidamos com uma
informação que não foi dita, mas tudo que é dito nos leva identificá-la,
estamos diante de algo implícito.
*A compreensão de implícitos
é essencial para se garantir um bom nível de leitura.
*Há textos em que nem tudo o
que importa para a interpretação está registrado.
*O que não foi escrito deve
ser levado em consideração para que se possa verdadeiramente interpretar um
texto.
Para
uma leitura eficiente, o leitor precisa captar tanto as informações explícitas
como também implícitas. Um bom leitor é aquele que consegue ler nas
entrelinhas, senão acaba por despercebido alguns significados importantes e
decisivos ou ainda cair no erro de concordar com coisas da qual rejeitaria se
assim percebesse.
É bom
que se ressalte que no âmbito do direito, o implícito pode tanto ajudar como
atrapalhar, quando se direciona ao magistrado devemos evitar ao máximo escrever
nas entrelinhas, pois poderá prejudicar no andamento de certo processo.
PRESSUPOSTO
É indiscutível que a escola é o lugar privilegiado para auxiliar os alunos na leitura de pressupostos. Mas, o que são pressupostos? Veja-se o seguinte exemplo prático: "Ademir parou de beber."
Para se aceitar o fato de Ademir ter deixado de beber, torna-se, como verdadeira, outra informação que, embora não dita na frase, é logicamente pressuposta pelo verbo parar de, ou seja, se Ademir parou de beber, é porque antes ele bebia.
PRESSUPOSTO
É indiscutível que a escola é o lugar privilegiado para auxiliar os alunos na leitura de pressupostos. Mas, o que são pressupostos? Veja-se o seguinte exemplo prático: "Ademir parou de beber."
Para se aceitar o fato de Ademir ter deixado de beber, torna-se, como verdadeira, outra informação que, embora não dita na frase, é logicamente pressuposta pelo verbo parar de, ou seja, se Ademir parou de beber, é porque antes ele bebia.
Por
outro lado, a informação deixa de ser válida se Ademir nunca bebeu. Dessa
feita, o Novo Dicionário Aurélio (Ferreira, 1986) assim define pressuposto:
“circunstância ou fato considerado como antecedente necessário a outro.” De
forma mais abrangente, Ilari e Geraldi (1994: 90) explicam que a pressuposição
é um “conteúdo implícito, sistematicamente associado ao sentido de uma oração,
tal que a oração só pode ser verdadeira ou falsa se o conteúdo em questão for
reconhecido como verdadeiro”.
No exemplo citado acima, percebe-se que a pressuposição lógica ou semântica é
parte do conhecimento partilhado pelo falante e pelo ouvinte. Assim, diz-se que
sua noção é relacionada ao sentido das palavras inscritas no enunciado, mas
também, como diz Cançado (2005: 27-28), “a um conhecimento prévio, extralinguístico,
que o falante e o ouvinte têm em comum”; portanto, de acordo com a autora ,
“pode-se dizer que a pressuposição é uma noção semântico-pragmática.”
Dessa
feita, o conteúdo pressuposto “Ademir bebia antes”, já que conhecido pelos
interlocutores para ser proferido, não é afetado, permanece inalterado quando
esse enunciado é negado, ou é colocado em forma de interrogativa, ou mesmo como
uma condicional (suposição) antecedendo outra sentença:
a) Ademir parou de beber;
b) Ademir não parou de
beber;
c) Ademir parou de beber?
d) Se Ademir parou de beber,
sua esposa deve estar contente.
O
pressuposto faz sentido em qualquer uma dessas situações, ainda que
modifiquemos sua forma sintática.
Ao analisar as relações de sentido em enunciados, algumas palavras ou
expressões introduzem pressuposição. Entre os indicadores linguísticos de
pressuposição, podem-se citar certos adjetivos ou palavras similares
modificadoras do substantivo, verbos que indicam mudança ou permanência de
estado, advérbios, orações adjetivas e conjunções, os quais, ao serem
identificados, contribuem para uma leitura mais aprofundada do texto.
Quando se diz, por exemplo:
“Frequentei as aulas de
pintura, mas aprendi algumas coisas.”
O falante transmite duas
informações de maneira explícita:
a) que ele frequentou as
aulas de pintura;
b) que ele aprendeu algumas
coisas. Ao ligar essas duas informações com um mas comunica também, de modo
implícito, sua crítica às aulas de pintura, pois passa a transmitir a ideia de
que pouco se aprende nessas aulas.
Para entender melhor:
São
aquelas ideias não expressas de maneira explícita, mas que o leitor pode
perceber a partir de certas palavras ou expressões contidas na frase. Assim,
quando se diz O tempo continua chuvoso, comunica-se de maneira explícita que no
momento da fala o tempo é de chuva, mas, ao mesmo tempo, o verbo continuar
deixa perceber a informação implícita de que antes o tempo já estava chuvoso.
Na frase: Pedro deixou de fumar diz-se explicitamente que, no momento da fala,
Pedro não fuma. O verbo deixar, todavia, transmite a informação implícita de
que Pedro fumava antes. A informação explícita pode ser questionada pelo
ouvinte, que pode ou não concordar com ela. Os pressupostos, no entanto, têm
que ser verdadeiros ou pelo menos admitidos como verdadeiros, porque é a partir
deles que constroem as informações explícitas.
Se o pressuposto é falso, a informação explícita não tem cabimento. No exemplo acima, se Pedro não fumava antes, não tem cabimento afirmar que ele deixou de
fumar. Na leitura e interpretação de um texto, é muito importante detectar os
pressupostos, pois o seu uso é um dos recursos argumentativos utilizados com
vistas a levar o ouvinte ou o leitor a aceitar o que está sendo comunicado.
Ao
introduzir uma ideia sob a forma de pressuposto, o falante transforma o ouvinte
em cúmplice, uma vez que essa ideia não é posta em discussão e todos os
argumentos subsequentes só contribuem para confirmá-la.
Por isso, pode-se dizer que o pressuposto aprisiona o ouvinte ao sistema de
pensamento montado pelo falante. A demonstração disso pode ser encontrada em
muitas dessas verdades incontestáveis postas como base de muitas alegações do
discurso político.
SUBENTENDIDO
Subentendidos
são insinuações escondidas por trás de uma afirmação, sendo este contextual,
pragmático, e de responsabilidade do ouvinte, por isso, altamente variável, uma
vez que o falante camufla as palavras protegendo-se, porque, com ele, diz-se
sem dizer, sugere-se, mas não diz, sem comprometer-se.
O subentendido é de responsabilidade do ouvinte, pois o falante, ao subentender, esconde-se por trás do sentido literal das palavras e pode dizer que não estava querendo dizer o que o ouvinte depreendeu. O subentendido, muitas vezes serve para o falante proteger-se diante de uma informação que quer transmitir para o ouvinte sem se comprometer com ela.
O subentendido é de responsabilidade do ouvinte, pois o falante, ao subentender, esconde-se por trás do sentido literal das palavras e pode dizer que não estava querendo dizer o que o ouvinte depreendeu. O subentendido, muitas vezes serve para o falante proteger-se diante de uma informação que quer transmitir para o ouvinte sem se comprometer com ela.
O
grau de evidência de um subentendido depende do grau de notoriedade dos fatos
extralinguísticos a que remetem, ou seja, informações veiculadas por um dado
enunciado, cuja localização depende da situação de comunicação.
Essas
insinuações textuais desempenham papéis fundamentais na interpretação de
enunciados orais ou escritos. Todavia, os interlocutores devem mostrar-se
cooperativos, no que tange a construção do sentido textual, esse é um princípio
geral denominado, Princípio de Cooperação.
Num
texto, onde faltam informações para torná-lo claro e coeso, o leitor tem de
procurar entender o que está implícito no enunciado, passando o significado a
ser depreendido a partir do que não se disse explicitamente, levando-se em
consideração o contexto situacional, os diferentes conhecimentos cognitivos,
não só de caráter linguísticos, mas socioculturais.
O
subentendido, por sua vez, diz respeito à maneira como este sentido deve ser decifrado
pelo destinatário, levando em conta as circunstâncias da enunciação, estando,
portanto, ausentes no enunciado. Como
já ressaltado, na análise de textos, o aluno deverá perceber que há textos em
que o que não foi escrito também deve ser levado em consideração no ato de ler.
Vejamos agora alguns
exemplos:
1) Num diálogo entre A e B:
A: Estou procurando alguém
para consertar meu carro.
B: Meu irmão está em casa.
A: Mas ele está sempre tão
ocupado!
Nesse pequeno discurso
existem muitas informações implícitas, ou seja, subentendidas, quais sejam:
“A”
sabe que ali naquele local mora alguém que conserta carro.
É
o irmão de “B” que conserta carro.
“A”
fica surpreso ao encontrar o irmão de “B” em casa, já que ele encontra-se
sempre muito atarefado.
2) Um enunciado
como:“Conheço muito bem os políticos de hoje.”
Este enunciado pode querer
dizer que os políticos são desonestos, isentando o locutor de qualquer
responsabilidade, escondendo-se atrás do significado literal das palavras, já
que a interpretação é particular daqueles que a realizam.
3) Ninguém é tão ignorante
que não possa ensinar algo a alguém. Subentende-se que:
O
locutor confia na capacidade das pessoas para ensinar;
O
interlocutor tem capacidade de ensinar;
Há
diferentes graus de sabedoria ou de ignorância;
Não
há ninguém verdadeiramente ignorante;
Há
alguém que deseja ou precisa de ensino;
Há
alguma coisa para ensinar.
Enfim, os leitores/ouvintes/interlocutores tem de estar atentos, principalmente às informações intrínsecas nos textos/enunciados, pois existem enumeras informações, que auxiliarão na melhor compreensão textual, sendo necessário situá-lo num contexto.
CONCLUSÃO
Conclui-se
que o pressuposto depende da comunhão entre os interlocutores no que tange ao
conhecimento prévio de determinado assunto, já no subentendido não há esse
comprometimento, nele o ouvinte tem a liberdade para compreender o fato, porém
deve fazê-lo de forma cooperativa, pois só assim terá um entendimento conforme
as expectativas do narrador.
Enfeixando-se
o que foi exposto até o momento sobre pressuposto e subentendido e trazendo
para o mundo jurídico, vemos a importância do tema implícito para uma perfeita
extração de todos os detalhes passados pela narrativa de um futuro cliente
direcionada ao seu advogado, o cliente no seu desabafo acalorado transmite
muitas informações implícitas, as quais cabem ao advogado alavancar, pois assim
o outorgado pode em sua petição explorar ao máximo a função emotiva colaborando
os anseios do outorgante.
EU GOSTO DE VOCÊ
"O casal inglês, daqueles que conversam pouco mesmo, está na sala do jantar, Ela vidrada na TV e ele lendo seu jornalzinho, quieto, lá num canto da poltrona. De repente, ela volta-se para ele e pergunta:
— Meu bem, você gosta mais de mulher bonita ou inteligente? E ele, distraído, sem tirar os olhos do jornal:
— Nem de uma coisa, nem de outra, querida. Você sabe que gosto mesmo é de você."
Na fala do marido, "Nem de uma, nem de outra, querida. Você sabe que gosto mesmo é de você.", há uma ideia implícita: o fato de ele achar a mulher não é nem inteligente nem bonita; ou seja, o explícito serve para passar um implícito.
No discurso literário, o implícito também pode aparecer na relação que se estabelece entre a obra e seu destinatário. Ao ler uma obra de Machado de Assis, um conto ou um romance, pergunta-se: que a mensagem o autor quis passar ao escrever esta obra?
Procedendo dessa maneira, o destinatário está, na realidade, à procura do implícito; como diz o autor de Pragmática para o discurso literário cuja frase ilustra o início desse artigo, "qualquer obra que figura no corpus da literatura leva seu leitor a perseguir o implícito".
Como se vê, o conhecimento acerca do implícito é de grande importância para a interpretação de texto.
Pressupostos e Implícitos são recursos frequentemente utilizados por autores no momento de elaboração de seus textos. Para assegurar uma boa leitura, é preciso estar atento a situações em que apenas a apreensão do sentido literal não é o bastante para a compreensão do texto.
Veja:
Na fala do marido, "Nem de uma, nem de outra, querida. Você sabe que gosto mesmo é de você.", há uma ideia implícita: o fato de ele achar a mulher não é nem inteligente nem bonita; ou seja, o explícito serve para passar um implícito.
No discurso literário, o implícito também pode aparecer na relação que se estabelece entre a obra e seu destinatário. Ao ler uma obra de Machado de Assis, um conto ou um romance, pergunta-se: que a mensagem o autor quis passar ao escrever esta obra?
Procedendo dessa maneira, o destinatário está, na realidade, à procura do implícito; como diz o autor de Pragmática para o discurso literário cuja frase ilustra o início desse artigo, "qualquer obra que figura no corpus da literatura leva seu leitor a perseguir o implícito".
Como se vê, o conhecimento acerca do implícito é de grande importância para a interpretação de texto.
Pressupostos e Implícitos são recursos frequentemente utilizados por autores no momento de elaboração de seus textos. Para assegurar uma boa leitura, é preciso estar atento a situações em que apenas a apreensão do sentido literal não é o bastante para a compreensão do texto.
Veja:
O anúncio foi feito para divulgar uma exposição de quadros de dois importantes pintores modernistas brasileiros: Tarsila do Amaral e Di Cavalcanti.
O texto, além de tratar dos dois pintores, faz uma referência curiosa ao leitor, quando afirma: "Com eles a arte brasileira deu um salto enorme (muito maior que a distância da sua casa até o Ibirapuera, por exemplo)". Por que os idealizadores dessa peça publicitária fizeram essa referência ao leitor da revista?
REFERÊNCIAS
http://www.julianoribeiro.com.br
http://www.letras.ufmg.br
http://www.repositorio.seap.pr.gov.br
http://portugsparaconcursos.blogspot.com/2009/01/pressupostos-e-subentendidos-parte-ii.html
http://portugsparaconcursos.blogspot.com/2009/01/pressupostos-e-subentendidos-parte-i.html
